quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Querida o culpado foi o gene.

Se o seu ficante se aterroriza, paralisa ou foge de você quando o assunto é subir para um degrau mais sério a relação a dois? Se o seu namorado não quer fincar um compromisso mais sério diante da sua família e dos seus amigos ou dos amigos dele? Ou até mesmo, não quer nem ouvir falar em casamento?
Calma garota, antes de bater o telefone, colocar o rapaz para fora ou terminar tudo, fique aliviada. Ele não é o único homem neste sistema solar a ter ojeriza de relacionamentos sérios; e tão pouco a culpa é apenas dele.
O real vilão da história fica muito bem escondido e só agora os estudiosos conseguiram identifica-lo: é o gene AVPR1A. Complicado, nem tanto. O AVPR1A é o gene responsável a ajudar a regular os níveis cerebrais de Vasopressina, uma substância associada à agressividade e à capacidade masculina de estabelecer laços afetivos. Quando uma variante ocorre nesse gene, os homens portadores tendem a desenvolver uma aversão a relacionamentos.
A pesquisa foi liderada por Hasse Walum e publicada na revista científica americana Proceedings of the National Academy of Sciences. Dr. Walum e sua equipe avaliaram 552 pares de gêmeos, com idades entre 37 e 64 anos, que tinham parceiros e dados sobre seus relacionamentos colhidos através de um questionário. Em seguida compararam os dados com a formação genética de cada individuo. Um total de 48%, dos 220 em que se identificou a mutação, não afirmava a sua condição de casado, apesar de estarem vivendo com uma parceira sob o mesmo teto. Os que não apresentaram as diferenças no gene o índice caiu para 17%.
Outro fator identificado na pesquisa foi a insatisfação com a relação, a vontade de desfazer o relacionamento era maior entre os portadores da mutação. Mesmo comprovando a influência da genética no comportamento humano, os cientistas ainda não são capazes de apresentarem resultados práticos. Por isso não existe remédio, terapia ou tratamento de choque que cure o gene mutante do seu parceiro, caso ele venha desenvolver ou já tenha desenvolvido a mutação. Mas também não se desespere a pesquisa não prova definitivamente que o gene seja o único responsável pelo comportamento averso a compromisso amoroso, que o seu parceiro desenvolveu nas últimas semanas. Os genes não agem de forma isolada, por isso não estariam carregando consigo toda a culpa.
Se o seu parceiro for portador de mutações no AVPR1A, isso não indica que o seu relacionamento esteja fadado ao fracasso. As condições homem-ambiente também teriam um peso significativo nas decisões dele ao longo da vida: fatores como religião, experiências vividas, o ambiente em que cresceu e as suas crenças. Portanto os genes interagem de forma importante com os fatores externos.
Mas o que não vale é dar a desculpa de que não te ligou noite passada porque os genes não estavam a fim.
Ah! Essa não.

Nenhum comentário: